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Tailândia, a terra do sorriso


Edna Cardozo Dias


Bagkoc, a cidade dos anjos


Tailândia é a terra dos reis e do budismo. Fui até lá atraída não só pela beleza do local, mas pela magnificência do Império Khmer, com sua riqueza cultural e esplendor de seus templos e da natureza.

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A Tailândia foi conhecida como Sião até 1939. Mudou seu nome para Muang Thai ou Prathat-Thai, ambos significam terra da liberdade. Num país budista buscar a liberdade significa buscar o caminho reluzente, acima da tristeza e da alegria.  É preciso buscar a liberdade, pois é longa a estrada daquele que não encontra a liberdade, terá que vagar por muitas vidas. (disse Buda).

Acredita-se que os tailandeses vieram do Laos. A Tailândia foi habitada pela dinastia Khmer e Mon, fundada pelo rei Mungai em 1259-1317. A Tailândia nos lembra a fascinante história que nos conta os filmes “ O rei e eu” e “ Ana e o rei do Sião”. Esta história é pura ficção. O rei Mongkut (Rama IV) existiu de fato. Na dinastia Chakri todos os reis recebem o nome de Rama. Também é verdade que Mongkut contratou a professora Anna Leowens como preceptora de seus filhos, mas nunca foi um déspota e nem dançava pelas varandas do palácio.


O país até hoje é uma monarquia da dinastia Chakri. O mais amado é o Rei Rama V (1868-1910) que aboliu a escravidão e estabeleceu uma administração moderna. Fundou a escola de Direito e universidades. Até hoje existem altares erguidos para Rama V onde são colocadas oferendas. A vida espiritual mistura budismo, hinduísmo e culto aos espíritos. É costume se comprar casinha para os espíritos morarem. Parecem casas de pássaros e são colocadas nas estradas ou na porta de casa.

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O atual  rei Bhummibol  Adulyadej é também muito querido. Seu retrato está por toda parte. Toca jazz e é compositor. Só que hoje a monarquia é constitucional. De seus filhos a mais amada é a princesa número três na linha de  sucessão.

Ao escolher um roteiro de viagem sempre consulto meu coração. Ensina uma sutra de Buda que o caminho não está no céu, o caminho está no coração. O verdadeiro andarilho é também um andarilho espiritual. Juntamente com o desejo de conhecer o planeta procuro conhecer a sua história e as diversas culturas.


Um tour considerado auspicioso, segundo o budismo tailandês consiste em se visitar nove tempos. Cada templo concede uma benção diferente. Quem visita o templo da montanha de ouro, Wat Saket adquire bons pensamentos. O Wat Phea Kaew, onde está o Buda Esmeralda, símbolo sagrado da Tailândia, traz boa sorte. Visitando os nove templos pode-se alcançar as seguintes graças: cura, popularidade e fama, carisma na carreira, compaixão, boa saúde, sabedoria, vitória, proteção, boa reputação e paz. As pessoas trazem ao Buda oferenda uma flor de lótus, três incensos, uma vela e folhas de ouro.


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Esperava-me um guia tailandês que morou na Espanha vinte anos e se dirigia a mim falando tailanhol. Não falava inglês e parece que não conhecia a história da Tailândia. Felizmente eu havia lido vários livros sobre o assunto e estava mesmo preferindo curtir tudo a ouvir aulas durante minhas férias.


É a segunda vez que vou à Ásia e que me obrigam a comprar um tour privado que custa muito mais caro. Da outra vez foi Índia e Nepal. Desta vez fiz tour privado (só eu, um guia e um chauffeur) em Bangkoc e Camboja. Na segunda parte, ao me dirigir ao Triângulo dourado me inseriram em pequeno grupo, porém sem me devolver o adicional de tour privado. O conselho que dou é que procurem não ir sozinhos à Àsia.


Todos os hotéis eram chiquérrimos, com academia de ginástica, picina comum, de hidromassagem, sauna, salões, spas. Andar sozinha? A recomendação era que só podia fazê-lo carregando apenas 100 dólares. Ora, se é perigoso para meu dinheiro era também para mim.


Bangkoc é uma megalópole. Para aliviar o trânsito existe o sistema do skytrain, além do metrô, barco e tuk-tuk.


Segundo a crença popular Bangkoc é uma cidade que foi habitada pela encarnação dos deuses e foi doada pelo deus hindu Visnu.


Os atrativos turísticos em Bangkoc são a visita a três riquíssimos templos budistas: Wat-Po, com o Buda reclinado, Wat Saket conhecido como Montanha de Ouro com o Buda de ouro com 58 metros de altura, e o Grande Palácio, uma das mais lindas relíquias da corte siamesa.

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O Wat Po abriga o maior Buda reclinado do pais, guardado ao redor de um complexo de chedis, pagodes e estupas cumeadas de ouro. Foi construído no reinado dos reis Rama I e II. Wat Po é o mais sagrado templo da Tailândia. A estátua de 46 metros tem incrustados em seus pés os 108 símbolos da iluminação. Buda ensinou o caminho da iluminação. Diz uma Sutra sagrada que aquele que atinge a iluminação se torna mestre em tudo que faz, se torna livre. Um dos segredos do caminho é viver no amor e trabalhar. Esta é uma receita para por fim às tristezas. Para seguir o caminho verdadeiro é preciso saber ver o que é e o que não é. O desperto se dirige de acordo com a lei e faz tudo que tem que fazer resolutamente. Aquele que hesita somente levanta a poeira da estrada (Bramapada – Buda).


No templo do Buda reclinado é costume deixar moedas em potes no valor de 20 bahts.


O Wat Phra Kaeo é o complexo mais grandioso dos três, o Grande Palácio. São mais de cem mansões e templos que nos contam a história do antigo Sião. Além da sala de coroação e da sala de purificação do rei, sala de audiências, pode-se avistar estátuas de indescritível beleza e murais que contam a versão tailandesa do Ramayana (o Ramakien foi escrito por Rama I – 1782-1809). É lá que está a capela central com o Buda Esmeralda, que na verdade é de jade. É o principal símbolo da Tailândia. É bem pequenino, tem 60 cm de altura, está no alto de uma montanha de ouro. Lá está, também, o Museu Wat Phra Kaeo com presentes para o Buda Esmeralda e fotos da realeza.


O Grande Palácio foi doado pelo rei Bhumidol ao povo e ele foi residir no Chitralada Palace. A casa do rei Rama V também foi doada ao povo e pode ser visitada, é linda. Os museus em seus arredores exibem riquezas e preciosas peças de artes, bordados, tronos, tudo deslumbrante. Em todo templo e palácio é obrigatório tirar os sapatos. Leve sempre uma sandália mais velha.


Nos arredores de Bangkoc existem vários locais interessantes para se visitar. A cidade de Kanchanaburi é histórica. Lá se encontra a ponte do rio Kwai. Por um breve passeio de trem se pode admirar  afloramentos de pedra calcária e seus campos de cana de açúcar. A estrada por onde passa o trem é denominada “estrada da morte”, pois foi construída pelos presos da 2ª Guerra Mundial sob condições desumanas. Muitas vidas foram perdidas. O museu JEATH (Japan, Tahiland, América e Austrália, England,Holland) da segunda guerra expõe fotos horripilantes dos soldados esqueléticos e mutilados. Os judeus não foram as únicas vítimas da guerra, são os que mais fazem propaganda de seu sofrimento.

Uma visita mais amena é um tour ao Mercado Flutuante Damnersaduak, a 110 km de Bagkoc. Está rodeado de Khlongs (rede de canais). Esses mercados na beira dos canais eram a maneira tradicional de se fazer compras, quando os canais eram a principal via de tráfego. Hoje são uma atração turística. Pode-se escolher um tour de barco com teto pelos canais rodeados de residência. E também um tour de compras em barco a remo onde as lojas flutuantes estão à margem do canal. Tudo caríssimo. Só vale pelo inusitado, pela diversão e pela amizade com outros turistas de outras nacionalidades.


Subindo pelo norte é que se conhece a civilização típica da Tailândia, povo  sorridente e muito místico. A primeira visita foi Ayuttaya, um dos muitos patrimônios da humanidade na Tailândia, e capital por mais de 100 anos. Há museus interessantes para se ver. O que mais me tocou nas redondezas foi Lopburi com o Wat Phra Sri Ratane Maha, conhecido como tempo dos macacos. Os monos viviam nas montanhas e quando estas foram invadidas pelos militares eles desceram para a cidade ocupando o templo, onde não há o que comer. Vivem do que lhes dão e da comida que conseguem pegar.

Mais visitada que Ayuttaya é Sukkothai, a capital original da Tailândia (1238-1376), cujo significado é “ascensão da felicidade”. Um parque cheio da imagem de Buda relembra sua grandiosidade religiosa e artística.


Subi  até as montanhas de Chiang Mai. Visitamos um campo de elefantes. Os elefantes na Tailândia eram normalmente usados para a exploração da madeira e treinados com muita crueldade. Com a proibição da exploração da madeira são agora utilizados para passear com os turistas na floresta. Se o elefante não trabalha não lhes dão comida e podem viver até 80 anos.


Diante desta situação e para não me separar do grupo resolvi fazer o passeio de elefante. No final os elefantes fazem um show tipo circo. A única coisa que ameniza é que ao final do trabalho são soltos e o dono de cada elefante o chama pela manhã.


Após o passeio de elefante um passeio de balsa de bambu, sem emoção, porque o rio Mae Kok era calmo e raso.


Uma visita a uma fazenda de orquídeas é programa encantador. Visitamos também fábrica de jóias, de artesanato, de móveis, de seda, assistimos a shows de danças típicas. Tudo isto me deu oportunidade de ter um contacto bem próximo com a civilização Thai.


Já nos últimos dias chegamos até as tribos que habitam as montanhas. Muito triste e diferente a tribo das mulheres girafas que colocam vários colares no pescoço. Começam a colocá-los aos cinco anos e vão colocando mais um a cada dois anos. Vivem em extrema pobreza, assim como as demais tribos das montanhas. Ficam esperando os turistas em trajes típicos em barracas de venda de artesanato local.

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A casa da rainha mãe, também doada ao povo, possui um jardim estilo japonês absolutamente deslumbrante. E o ponto final da viagem foi uma visita ao Laos com seu mercado de produtos típicos e à fronteira com Mynmar, antiga Birmânia, onde o regime ditatorial não permite a entrada de turistas.


Tailândia e seu povo são verdadeiramente encantadores e o que desejo de todo coração é a que a globalização não a transforme em mais um paraíso perdido.



 


 



 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
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