Budapeste, a rainha do Danúbio
Edna Cardozo Dias

Budapeste, cidade situada entre sete colinas, é uma das mais fascinantes cidades da Europa Oriental. Antigamente ela se dividia em Obuda, Buda e Peste. Hoje as cidades se uniram desde 1873 e estão separadas pelo Rio Danúbio, por isto é conhecida como Rainha do Danúbio. A grandeza de Budapeste resistiu às invasões e guerras e sobreviveu a todas vicissitudes. Ela é inigualável e incoparável por seus monumentos, sua arquitetura, sua música e sua arte.
A região foi habitada pelos bárbaros, pelos hunos, pelos avaros, e em 896 pelos magiares capitaneados pelo príncipe Arpad que deu início à dinastia dos Arpados. Com o nome de Estevão ele se tornou santo padroeiro da cidade. Depois a região esteve dominada pelos turcos e pelo império austro-húngaro. Em 1918 se libertou da coroa austríaca, se aliou aos nazistas e se tornou uma república em 1949, a República Popular da Hungria.
Iniciei meu contacto com Budapeste subindo o Monte Geller, uma colina dolomítica com 235 metros. Seu nome foi escolhido em homenagem ao bispo Géllert, responsável pela propagação do cristianismo no reinado de Estevão I. Em seu cimo se desfruta de um mirador com uma vista espetacular do Rio Danúbio. Era noite, a cidade iluminada parecia uma visão do paraíso.
No topo do monte se erguem importantes monumentos construídos pelos austríacos em 1851. Neste local os alemães combateram os russos derrotando-os. Para celebrar esta derrota, em 1947, foi construída uma imponente estátua da liberdade. A liberdade é um anseio de todos os povos, por isto encontramos sua imagem por várias cidades.
É uma região onde se encontram fontes de águas curativas e termas, como os chamados banhos Géllert e banhos Rudas.
As luzes da cidade iluminavam sua beleza, sua arte e sua gloriosa história. Depois fiz um romântico passeio pelo Rio Danúbio ao som da valsa Danúbio Azul, de Johan Strauss. Consta que esta valsa foi criada por ocasião de uma visita do músico à cidade e foi inspirada pelas águas do famoso rio.
Para os espiritualistas devotos da Grande Fraternidade Branca a valsa é o ritmo da transmutação e da Chama Violeta e foi trazido à Terra por Saint Germain como forma de diminuir a discórdia e desarmonia que havia na Europa daquele século. Assim, o compositor Strauss foi inspirado por Saint Germain, e fez surgir em Viena, no ano de 1776, as valsas hoje tão conhecidas.
Saint Germain, segundo a tradição, é um dos mestres ascensionados dos sete raios. Cada raio possui um mestre e uma cor predominante, assim como uma música. Inúmeros seres e anjos trabalham nesses raios. Estas músicas possuem “notas chave” ou códigos que atuam na consciência trazendo paz e harmonia. Sem procurar indagar a veracidade ou não de tais ensinamentos dou o meu testemunho da elevada paz que senti ao contemplar, ao som de Strauss, tanta beleza e tanta luz emanada das lâmpadas e das estrelas.
No meio do Danúbio à altura de Obuda está a Ilha Margarida, com seus jardins e banhos termais, um verdadeiro oásis. O Rio Danúbio está cheio de pontes ligando Buda a Peste, como ponte das Correntes, Ponte Elizabeth, Ponte da Liberdade e Ponte Margarida. A minha ponte preferida é a das Correntes, obra do arquiteto francês Adam Clark, com dois leões imponentes em sua entrada.
Já sob a luz do sol iniciei minha visita à cidade pela colina do Palácio de Buda com sua cúpula esverdeada. Ele abriga a Galeria Nacional Maguar Nanzeti e outras relíquias. O Palácio Real encerra a história de Buda e em sua frente vemos a estátua do príncipe Eugênio de Savoia.
Continuando a caminhar chega-se à Praça Trindade onde está a Catedral de São Matias que leva o nome de seu principal mecenas, o Rei Mátyás, que nela se casou por duas vezes. Quase tão antiga como o Palácio Real foi reconstruída em estilo neo-gótico e foi palco de diversas cerimônias de coroação. No centro da praça ergue-se uma coluna em homenagem à santíssima trindade.
Um poço à frente, no bastião dos pescadores, um castelo de mármore branco, o Halaszbastya construído no final do século XIX, com sete torres, é ponto preferido para fotos. No muro frontal da construção se tem a vista mais bonita de todo Danúbio, das pontes e de Peste. Toda esta região pode ser conhecida a pé.
Peste, do lado esquerdo do Danúbio no passado vivia à sombra da cidade vizinha. Seu desenvolvimento se deu a partir do século XIX. Peste é mais moderna e é onde se encontram o comércio e a zona de entretenimento. A sua arquitetura é ousada e surpreendente.

Os prédios mais impressionantes não estão muito perto uns dos outros. É preciso fazer o percurso de carro. Entre os mais magníficos temos o Teatro Vigado, em estilo romântico (1853-64) edificado para realização de representações musicais e teatro de câmera. Nele fizeram concertos Liszt, Brahms, Debussy, Bartok. Colunas e semicolunas intercaladas com grandes janelas em arco estão enfeitadas com personagens da história húngara.
Lizt era teuto-hungaro (filhos de alemães que viviam na Hungria), mas sempre usou passaporte húngaro e se dizia húngaro (1881-1886). Foi um verdadeiro gênio e um dos meus compositores preferidos, quando estudei piano na infância. Um dos prazeres que sentia ao piano era executar as Rapsódias Húngaras de Lizt.
Béla Bartok também era húngaro (1881-1945). Fundador da etnomusicologia, mudou-se para os EEUU durante a II Guerra mundial e lá não teve seu valor devidamente reconhecido.
Vale verificar o Palácio Greshan com uma fachada de pedra decorada com relevos (1907), estilo independente. Lá estava o Café Greshan, ponto de encontro de artistas.
A Academia Húngara de Ciências no estilo neo-renascentistas (1864) é uma visita imperdível. Decorada com estátuas representando vários setores das ciências como leis, ciências, matemáticas, filosofia, línguas e história é magnífica.
O Teatro da Ópera é uma majestosa construção em estilo renascentista (1875/1884). Sua fachada está decoada com musas da dança, poesia e amor, e no terraço sobre a balaustrada várias estátuas de músicos famosos e compositores se erguem gloriosas.
O Parlamento Húngaro é considerado um dos mais belos da cidade e permite visita guiada.
A praça dos heróis é o local mais popular de Peste. Nela estão vários monumentos de reis e heróis da independência. No centro da praça está o Arcanjo Miguel. Lá também estão os banhos públicos com piscinas ao ar livre, as Thermas Szcheny e suas águas curativas. Ali aconteceram grandes manifestações populares principalmente na era comunista. Atualmente a Hungria faz parte da União Européia. Da praça dos heróis me despedi da Hungria.