JESUS ERA VEGETARIANO
Edna Cardozo Dias
Escrito e publicado em 1991.
Presidente da Liga de Prevenção da Crueldade contra o Animal
“Para isto vim ao mundo, para por fim a todas oferendas sangrentas e ao hábito de comer carne de bestas e aves, que são retalhadas pelo homem.” Evangelho Essênio da paz
Em 1937 foi publicado o Evangelho Essênio da Paz de Jesus Cristo, pelo discípulo João. Editado por Edmond Szekely e Purcell Weaver. Em seu prefácio o autor explica que o conteúdo do livro é apenas um fragmento do manuscrito completo que existe em aramaico a livraria do Vaticano, e em eslavo antigo, na Livraria Real dos Habsburgos.
Esses fragmentos, em sua maior parte, versam sobre os trabalhos de cura de Jesus, efetuados por métodos de cura natural. Neles Jesus insiste na condenação da matança e da comilança de todo alimento advindo de morte. Neles está registrado que Jesus disse: “Quem mata mata, mata a si mesmo; quem come a carne retirada de animais, come o corpo da morte. Cada gota desse sangue se transforma em veneno.”
Nós, também, encontramos nesse evangelho um ordenamento de Jesus para que amemos uns aos outros e a toda criatura de Deus. Segundo Ele a Lei é a vida e se encontra em tudo que é vivo. Ela está na grama, nas árvores, no rio, na montanha, nos pássaros, no céu e nos peixes do mar. E por isto devemos ouvir as palavras de Deus escritas em sua obra viva e não nas escrituras mortas feitas pelos homens.
E em outra passagem: “E Jesus chegou numa aldeia e viu um gatinho sem dono. Estava com fome e miava muito. Ele, então, pegou o bichinho no colo, esquentando-o em seu manto. E Ele deu comida e água ao gatinho. E Ele deu o animalzinho a uma de suas discípulas, uma viúva chamada Lorenza que cuidou dele”.
Àqueles que se surpreenderam por vê-Lo cuidando do animal Ele disse: “Deveras estes são seus irmãos e irmãs que partilham convosco do mesmo alento eterno.”
Tais revelações deixaram o mundo boquiaberto e o Vaticano, quando indagado a respeito preferiu silenciar. A Igreja deixou de lado todos os ensinamentos que se mostraram contra o costume de comer carne e a favor de um respeito par com os animais e a natureza. Ela assim procedeu, porque queria se tornar religião do Estado. Atribuiu tais ensinamentos à Gnose e declarou-os falsos, par compactuar com o Estado instituído com desigualdades, e onde os chefes eram caçadores.
Outros documentos levaram algumas pessoas a acreditar que Jesus pertenceu à Ordem dos Essênios, chamados rolos do Mar Morto, encontrados na primavera de 1947, por dois pastores, que guardavam seus rebanhos dentro das grutas de Qumrã, perto do Mar Morto. Escrituras antigas estavam dentro das ânforas, e se referiam a uma seita de judeus, chamados essênios, com quem Jesus teria passado sua juventude, até a idade de 30 anos.
Também no Evangelho da Vida Perfeita, encontrado no Tibete, no século passado, podemos encontrar inúmeras palavras de Jesus, o Cristo em defesa dos animais e do vegetarianismo:
E Jesus falou: Em verdade, eu digo, aqueles que se aproveitam da injustiça infligida a uma criatura de Deus não podem ser honrados nem tampouco podem tocar as coisas sagradas e aprender os mistérios do reino dos céus, todos aqueles cujas mãos estão manchadas de sangue ou cuja boca se tornou impura pela carne.” E mais:
“vós não deveis tirar a vida de qualquer criatura por entretenimento nem tampouco torturá-la.”
Nele Jesus, também, prega o vegetarianismo: “vós não deveis comer nem mesmo beber o sangue de uma criatura morta e nem tampouco comer daquilo que prejudique vossa saúde ou vossa mente.”
E esclareceu em outra passagem: “Por causa da dureza de vossos corações permitiu Moysés que vós vos separásseis de vossas esposas, assim como permitiu comer carne em muitos casos, porém no começo não era assim.”
Dizendo que suas palavras seriam reprimidas e distorcidas pelas pessoas ignorantes Jesus predisse: “Chegará, então o tempo em que as coisas que esconderam serão reveladas e a verdade se libertará de suas correntes (O Evangelho da vida Perfeita).”
No Brasil o Evangelho Essênio da Paz foi publicado pela Editora Pensamento. Mais uma pérola esse Evangelho: “O sangue que em nós circula nasce do sangue de nossa mãe-terra. Seu sangue cai das nuvens, surge das entranhas da terra, sura nos lagos, ruge poderosamente nos mares tempestuosos. O ar que respiramos nas do alento de nossa mãe terra, seu alento está nas alturas e no azulado do céu; suspira os cumes das montanhas, murmura nas folhas das florestas, dança nos trigais, adormece nas profundidades dos vales e incide seu calor nos desertos.”